quinta-feira, 19 de junho de 2014

e quando você para, recolhe os cacos, respira e segue em frente. reconstrução, a gente vê por aqui.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Difícil descrever o que a Legião significa para mim. Sem dúvida é a banda que eu mais gosto, que mais me identifico, que mais me ensinou, que mais me fez perceber e ir atrás de outras coisas, seja na música, na literatura ou no cinema. Renato é minha grande referência artística desde os meus oito anos. Nesse domingo, ao ouvir o primeiro programa da série sobre os 28 anos da Rádio 89 FM, a Rádio Rock, eles lembraram que a música mais tocada em 1985 foi "Será", da Legião. Acho que em geral as pessoas não dão o real valor que a Legião tem artisticamente. Talvez muito pela imagem que eu considero bem equivocada que muita gente tem do Renato, como se ele fosse um missionário, coisas do tipo. Mas, me dei conta que só tinha quatro anos em 1985 e que ouvia da minha cama as músicas que tocavam na Amji (Associação dos Moradores do Jardim Ideal), em Canoas/RS, quase ao lado de casa, imaginando como seria quando fosse adolescente e tivesse idade para ir na discoteca (sim, esse era o termo da época). Acho que não fazia ideia do quanto o Renato seria fundamental pra mim e tão pouco tempo depois. Além da Legião, na Amji tocava Smiths, Madonna, Cindy Lauper, hoje clássicos dos anos 80. Assistia na TV o Globo de Ouro, o Programa do Chacrinha, o Perdidos na Noite e creio que isso tudo acabou me influenciando para toda a vida porque trouxe um pouco de rebeldia e transgressão ainda naquele meu universo infantil que tinha também Trapalhões domingo a noite, Porcina e Sinhozinho Malta na TV em preto e branco. Acredito que três expressões artísticas foram fundamentais para minha vida e que mudaram minha visão de mundo até hoje: Legião Urbana, Ramones e John Hughes. Mas, o cara que dançava de forma esquisita e que tinha os palavrões cortados numa música gigante, ainda numa época que as rádios eram controladas por um regime militar decadente, seria fundamental para eu perceber anos mais tarde, na pior fase, lá por 93, 94, 95 que eu era estranha e que não precisava provar nada pra ninguém, só precisava ser eu mesma, ainda que achasse todo mundo diferente de mim, e que poderia cortar o cabelo curtinho quando todo mundo só queria ser bonita e ter longas madeixas, que poderia andar de preto, não sair de casa e principalmente não ir na discoteca ou ficar com os garotos que eu considerava idiotas. Confesso que nessa época eu achava praticamente todo mundo idiota, professores, quase todos os colegas da escola, mas especialmente os veranistas que se achavam mais importantes por serem de cidades maiores como Curitiba, Blumenau ou Joinville, no fundo tão provincianas quanto qualquer outra cidade, (nessa época eu morava em Piçarras, cidade do litoral catarinense, e achava que "Everyday is Like Sunday" tinha sido composta pra mim). Eu preferia ficar com meus filmes, livros, os K7's e com o Johnny Depp na parede. Mais tarde ainda percebi que no fundo todo mundo é diferente, mas é igual, cheio de angústias e frustrações e talvez por isso a Legião seja uma banda tão importante para tantas pessoas. Às vezes eu achava que quem não tinha a dor n'alma não era capaz de compreender de verdade o que caras como Renato, Kurt Cobain, Morrissey, Joey Ramone, ou tantos outros desajustados, descreviam em suas músicas, mas no fundo acho que talvez isso tudo seja uma grande bobagem e uma forma de querer se enquadrar numa caixinha, num clube para pessoas especiais que não existe. Todo mundo sofre. Acho que não quero crescer e talvez esse seja meu erro, algo que me atormente. Fiquei em algum pedaço intermediário do tempo entre a infância, a adolescência e uma adulta que não se dá conta que já tem quase 33, mas ainda vê o mundo com aqueles olhos, de quem tinha 5, 8, 10 anos e já se achava meio esquisita.



sábado, 3 de maio de 2014

Vô Juvenal

Se meu avô estivesse vivo ele faria 95 anos hoje. Há três nos deixou. Pai do meu pai sempre foi uma das pessoas que eu mais amei na vida. Era engraçado, brincalhão, sabia fazer contas de cabeça como ninguém, tinha uma horta nos fundos de casa e aproveitava todas as cascas e o lixo orgânico. Foi até premiado com aquela hortinha. Agricultor desde sempre. Era simples, descendente de índios, nascido na fronteira do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, da família Batista Silveira, mas carregava só o sobrenome da mãe, Oliveira. Se apaixonou pela minha avó ainda na infância. A chamava de rabilonga por causa dos cabelos longos e da trança que usava. Não saia de casa sem seu bonézinho e depois a bengala. No fim da vida usava crocs por ser leve e confortável. Nunca aprendeu a dirigir, mas teve caminhões, uma Rural. Não deixou meu pai ser caminhoneiro. Achava que a profissão de torneiro mecânico seria mais promissora. Teve amantes, fez minha vó sofrer, interferiu na vida dos filhos. Teve um bom patrimônio e quase perdeu tudo. Guardou dinheiro, ajudou o que pode os filhos. Perdeu quase todos os irmãos e quando minha avó faleceu, sofreu demais. Só o nascimento do 18º neto trouxe um alívio de felicidade. Quatro filhos, 18 netos, incontáveis bisnetos e tataranetos. Me ensinou a jogar dominó, me ensinou tanta coisa. Não era perfeito, era taurino, não conheço ninguém mais taurino que ele. Cabeça dura, mas com um coração gigante. Vejo muito do meu avô no meu irmão. Tenho um orgulho imenso da família que tenho. Saudades, Vô e obrigada por tudo. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Quatro anos

Últimos minutos de 24 de abril de 2014. Há quatro anos cheguei em São Paulo. Um sábado. Desembarquei na rodoviária Tietê cedinho, antes das 7h. Era minha segunda vez na cidade. Peguei o metrô, fiz baldeação baseada no mapa, sempre baseada nos mapas. Acho que eles nos dão a dimensão real do espaço a ser desbravado. Desci na Consolação. Me lembro da cena clichê ao subir a escada rolante e chegar na Paulista com um travesseiro, um colchão de ar, uma mala, uma mochila, uma inscrição em um curso de roteiro, um monte de sonhos, expectativas e dinheiro pra ficar no máximo três meses. Achei que ia ser assaltada e engolida pela cidade em dois tempos. Estava vestida com minha armadura imaginária de Samurai, mas por incrível que pareça fui abraçada pela cidade de pedra. Alex, um amigo da faculdade, me recebeu em sua casa onde deixei as malas e dormi na primeira noite. Naquele mesmo sábado corri atrás de diversos endereços de pessoas com as quais quase dividi moradia. Algumas experiências surreais e mais bizarras que eu já vivi. Mas dei uma sorte imensa e conheci duas meninas que viraram meus anjos da guarda e minhas grandes amigas, Camilla e Elida, pessoas que eu devo minha gratidão eterna por terem me acolhido e ensinado tanto. Já no domingo estava instalada no apartamento da Artur com suas janelas e samambaias e a parede roxa. Outros anjos surgiram ao longo desses quatro anos. Muito obrigada a todos que me ajudaram direta ou indiretamente e que continuam me ajudando. São Paulo pode parecer hostil e é, mas também pode ser encantadora e eu gosto muito daqui.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain


Há 12 anos, numa quinta-feira, a última que O Fabuloso Destino de Amélie Poulain estaria em cartaz, eu corri para o cinema. Se não me engano era a última sessão. As 11 salas do Shopping de Canoas raramente exibiam filmes que não fossem blockbusters e a pouca procura fazia com que os filmes saíssem rapidamente de cartaz (infelizmente ainda funciona assim). Mas eu e outras cinco pessoas desconhecidas estávamos lá para uma das mais, se não a mais, experiência arrebatadora que eu já tive ao assistir um filme. Várias películas mudaram a minha vida, mas acho que Amélie foi diferente, foi aquela explosão de cores, aquela música, aqueles sentimentos, aquela personagem. Me identifiquei nos mínimos detalhes. A garota estranha e sozinha que ama platonicamente um cara que nem sabe quem é, mas imagina que ele é como ela e que de uma maneira torta quer fazer pequenas coisas que possam ajudar outras pessoas. Acho que o sucesso do filme é exatamente esse, quase um segredo mágico e compartilhado com quem se identifica. Acredito que felizmente são muitas pessoas. Obviamente há quem ache idiota, mas não confio nesses seres. Eles não tem coração. Quando o filme terminou, eu chorava compulsivamente, não de tristeza, mas porque era muito do que eu sentia, era o cinema falando por mim. E para minha maior felicidade, ouvi há dois dias o Jean-Pierre Jeunet falar que o grande tema de seus filmes e a sua grande questão particular é essencialmente a história de alguém tímido, introvertido, que no fundo só quer se livrar dessa introversão, quer se expressar e sair do casulo. Chorei de novo. Jeunet me salvou mais uma vez, como fez há 12 anos. Sim, eu sou uma idiota, mas Amélie é definitivamente especial. Ela não mudou só a vida dos personagens, mudou a minha também e acredito que a de muita gente.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

domingo, 9 de fevereiro de 2014

a janela e a luz acesa. passo, no silêncio. os passos surdos gritam sobre as folhas secas mudas do quarto andar. passos, sombra, caminho.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dança ridícula



Performance ridícula de Simone enquanto arruma o guarda-roupa ao som de "Ashes", de KT Tunstall.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dia 02 de 2014. Estou eu, na casa dos meus pais, trabalhando no computador. Ainda há resquícios de um trabalho de 2013. Escrevendo, deitada no meu quarto de outrora que ainda guarda as bonecas hoje quase trintonas. Há ainda as fitas em VHS de tantos filmes que amo e que devem estar embolorados. Meu pai, com uma rosa cor de rosa nas mãos, entra delicadamente e me entrega a flor. Meu pai é desses caras, quietos, mas que em um gesto são capazes de fazer as maiores gentilezas e as maiores ações. Entregou também outra rosa, essa vermelha, para minha mãe. As rosas foram colhidas no nosso jardim. É esse tipo de coisa que eu amo em minha família. A gente não se importa com carro do ano, com marca disso ou daquilo, o que vale são os gestos mais singelos. E eles não precisam ser comprados, não precisa ser um buquê caríssimo, não precisa ter data, não precisa estar no instagram ou ser divulgado aos quatro ventos. Meu pai não fez isso pra parecer gentil, ele fez porque faz isso de vez em quando ao colocar comida para os passarinhos, ao tirar o cocô dos cachorros do pátio, quando percebe uma nova flor. Esses dias largaram um cachorrinho aqui na minha rua. Filhotinho, magro, com muita pulga e carrapatos. Tentamos ver com os vizinhos se alguém poderia ficar, ninguém quis. Com a iminência dos malditos fogos de artifício e com carros passando em alta velocidade, ficamos com receio dele ficar na rua. Meu pai foi o primeiro a dizer que deveríamos acolhê-lo, tratá-lo e tentarmos alguém para adotá-lo, já que temos outros quatro e que mais fortinho e bonitinho é mais fácil achar um tutor. Mais que depressa fui ao pet shop mais próximo, comprei um xampu antipulgas, remédio de vermes e tratamos o sapequinha que ainda está em processo de nome. Acho que vai se chamar Caco em homenagem ao sapinho dos Muppets. Acho que no fundo vamos ficar com ele, um fofo. Se eu pudesse levaria para São Paulo comigo. Sinto falta dos cachorros, dos bichinhos. Mas, são os doces gestos cotidianos, os doces gestos de meu pai, minha mãe, meu irmão, que fazem a diferença e é isso que quero para meu 2014 e para sempre. Doces gestos silenciosos e o agradecimento a Deus por ter me dado uma família tão especial.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Resoluções 2014

Fim de ano é normal a gente pensar nos planos e nas mudanças para o próximo ano. Eu quero muito voltar e resgatar a pedra bruta em direção à vidraça que eu era quando tinha 16, 17 anos. Apesar da timidez e do medo, algo dentro de mim me movia, mas me continha porque achava que era jovem demais e que no futuro as coisas iriam mudar. Agora sinto que já estou um pouco velha pra certas coisas, mas estranhamente a alma adolescente ainda é latente. O duro é constatar que com o passar dos anos você fez muita coisa que achou que nunca iria fazer, e que talvez você não tenha se tornado uma pessoa tão legal como você queria ser. Eu era muito idealista aos 16 anos. Era definitivamente alguém melhor. Em 2013 já mandei muita gente se fuder, coisas que não estavam me fazendo bem foram meio que exterminadas no momento e me orgulho disso, apesar de ter perdido oportunidades também por isso. Mas em 2014 quero resgatar o espírito rock'n'roll adormecido que habita esse ser. Deixar de ser apática e alguém que deixa a vida correr. Mandar o consumismo pro inferno e seguir meu coração. Minhas resoluções são pra tentar me encontrar com a garota de 16 anos anos atrás que queria ter uma banda, fazer um filme e caminhar pelo meio-fio. 2014 será o ano de finalmente dar um "mosh" ou stage diving.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sabe a hora que dá vontade de sair correndo pelada gritando pela rua só de raiva? Pois é, hoje ainda não deu.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os Incríveis - O Grande Desafio

O querido Arilson Arraes, ou Arilson Araripina, foi o grande vencedor da primeira temporada de Os Incríveis - O Grande Desafio, exibido pelo NatGeo Brasil! \o/

Obrigada a todos os participantes, a todos que trabalharam nesse projeto e que me ensinaram tanto, ao Cazé maravilhoso! Foi um trabalho exaustivo, difícil, mas com muitas histórias e vivências.

Aprendi muito fazendo tanto a produção de conteúdo, quanto auxiliando na produção de casting e me sinto mais feliz por ter sido uma pequena peça dessa engrenagem. E agora passa um filme de como tudo começou.

Vi o Arilson de relance em um programa de esportes na TV e achei que ele tinha o perfil do programa que estávamos começando a produzir. Conversei com a querida Mariane Kawasaki, produtora, sobre o que ela achava, mas o nosso desafio era contactar o Arilson. Achei a matéria completa na internet e descobri que ele era de Araripina, no interior de Pernambuco. Mas, como contactá-lo? 


Como sou de uma cidade pequena, lembrei que geralmente o assessor de imprensa da prefeitura é o cara que conhece todo mundo da cidade, ainda mais sendo um menino prodígio que já tinha dado algumas entrevistas. Pensei, não custa tentar. Consegui falar com o Jorge Posseti, assessor de imprensa da prefeitura, que foi um querido. Disse que conhecia o Arilson, mas não tinha o contato dele, que iria tentar falar com o pai do Arilson e me pediu para entrar em contato no dia seguinte. Jorge conseguiu, na época o pai do Arilson estava sem telefone, eles compraram um só para que pudéssemos conversar. 


E assim foi, esse menino simpático e carismático, que tem uma grande memória, é apaixonado por futebol, já sabia muita coisa e conseguiu decorar ainda mais informações para participar do programa. Passou pela primeira fase e passou pela final. Eu estava torcendo por todos os participantes, porque todos mereciam e todos realmente são incríveis, mas foi inevitável conter as lágrimas quando vi dos bastidores o pai do Arilson abraçando o filho e depois me agradecendo por ter feito o primeiro contato. "Você tem uma parcela nessa conquista", me disse. E isso valeu tudo. 


Mas, esse prêmio é total mérito de vocês Arilson! Seu e de sua família por incentivá-lo. Sei o quanto esse prêmio pode ajudá-los a ter uma vida um pouco melhor e isso foi o mais gratificante de tudo. Obrigada Arilson. Obrigada por ter me ensinado tanto.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Danilo Gentili é rock!


Com a bundamolização do rock brasileiro (e das artes em geral), acho que os humoristas são hoje os caras mais rock'n'roll nas atitudes e ideias no cenário artístico nacional. Às vezes desnecessários, exagerados, fora de propósito (como todo mundo diga-se de passagem), mas ao mesmo tempo questionando a sociedade e seus paradigmas. Ao mesmo tempo ainda que também reforçam muitos preconceitos e estereótipos, embora se isso for levado a sério, está presente desde o início da comédia, desde Aristóteles. Ela é calcada justamente nos estereótipos ou exageros das fragilidades humanas. Enfim, mas para complementar tudo isso, quem não tem nenhum tipo de preconceito ou questionamentos sobre alguma coisa que atire a primeira pedra. Todos somos hipócritas quase o tempo todo. 

E o Danilo Gentili é um dos expoentes nesse turbilhão entre bater e apanhar por defender piadas e ideias. Quase um Rocky Balboa que apanha e continua seguindo o que acredita. Com as devidas proporções, às vezes também o vejo como um personagem de Milan Kundera.

Eu acho que ele, ainda que desajeitado e com argumentos que especialistas consideram frágeis, puxou para si uma responsabilidade imensa ao questionar um governo que a maioria aprova, eu inclusive. Acho que apesar de tudo o Brasil avançou muito, especialmente para as pessoas mais simples que visivelmente hoje tem uma qualidade de vida melhor, mas não foi só o governo, foram diversos fatores econômicos mundiais, etc.. Eu mesma, só terminei a faculdade porque consegui a bolsa de estudos pelo Prouni, mas de verdade, o certo seria ninguém ter que pagar nada para estudar, mas se não fosse o Prouni teria levado pelo menos mais uns dois anos para finalizar.


Acho que infelizmente seria ingenuidade acreditar que só houve mensalão no governo do PT, que no meu ponto de vista também não é mais esquerda há um bom tempo. Na verdade não sei se existe mais esquerda no Brasil ou no mundo. Não sei se efetivamente algum dia existiu, sendo que Cuba, URSS e China apresentaram regimes ditatoriais, sangrentos em que o coletivo foi massa de manobra. E claro, o indivíduo como indivíduo pensante e questionador, não existe. Sem falar que pegaram o pior do capitalismo criando escravos em nome da mais valia. Pra mim nada pode ser mais absurdo do que matar uma pessoa pelo que ela acredita e isso aconteceu tanto por defensores da direita quanto da esquerda.

Infelizmente a corrupção está tão intrínseca na sociedade brasileira, essa mania em querer se dar bem está presente no cotidiano das pequenas às grandes coisas que para mim é o grande câncer social. Logo, a corrupção no Brasil existe em todas as camadas sociais e em todos os partidos também. Obviamente que nada justifica mensalões, propinas e que as prisões foram justas e necessárias. Acho ainda que o PT deveria ter feito a reforma tributária, promessa antiga do Lula, acho que poderíamos ter um país melhor, mais justo, e claro, que a corrupção das pequenas às grandes coisas precisa acabar. 


Acredito que todas as pessoas tem direito de questionar e se posicionar contra ou a favor o que quer que seja e não lembro de nenhum outro humorista no Brasil, ou artista, que tenha passado pelas sabatinadas públicas que o Danilo e o Rafinha Bastos passaram nos últimos anos. Claro que eles não são ingênuos, ou são, não sei, mas se posicionam e pagam um preço por isso. Só sei que deve ser muito difícil ser esses caras, levar tanta pedrada, bater de frente com um monte de gente, com instituições, ideologias em nome de piadas/ideias, na pressão de tentar ser engraçado e agradar ao mesmo tempo que questiona... O eterno arlequim que tem permissão para ridicularizar todo mundo para fazer graça, inclusive o próprio rei, mas está sempre sobre o meio-fio. 


Estava pensando sobre tudo isso e acho que de forma meio torta e esquisita, mas com a sua opinião e o direito de expressá-la, o Danilo está colocando um país inteiro para questionar e se questionar. E embora essa já famosa discussão dos "limites do humor" esteja saturada, creio que está sendo válida para todos nós pensarmos e reavaliarmos também sobre nossos posicionamentos políticos e éticos. Acho que se Aristóteles estivesse vivo ele gostaria do Danilo. 


Mas em geral vejo que há muita violência e agressão, de todos os lados. De quem é a favor ou contra os humoristas. Dos humoristas contra quem se posiciona contra eles. De quem se acha de direita ou de esquerda, de representantes de grupos étnicos, grupos de gêneros ou grupos religiosos. Tempos pesados e difíceis, embora acredite que todos sairão melhores depois disso.  Por fim, compartilho um texto interessante sobre a perseguição ao Danilo. Independente de concordar ou não, acho que vale a leitura. Danilo Gentili, as panquecas e o pensamento


Adendo: site em que Danilo Gentili responde algumas críticas - http://www.respondendoidiotas.com.br/

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


Já fui editora de conteúdo web do Educativo da Fundação Bienal de São Paulo, também já trabalhei como assessora de imprensa, jornalista, repórter. Fiz uma monografia sobre Eduardo Coutinho, fui mérito acadêmico e deixei a medalha numa gaveta. Tenho interesse em documentários, dramaturgia,  produção de roteiros para cinema, web, TV, mas fracassei no meu TCC da pós, um roteiro de um longa sobre uma mulher de 30 anos que fracassa.  Já fiz alguns cursos na área de humor, como improviso e stand-up comedy, mesmo sem ser engraçada. Já fiz coisas sérias como ser assessora de imprensa de um palestrante mágico. Já fui vendedora de consórcios de motos, mas não vendi uma sequer. Já fui caixa de supermercado, montadora elétrica, balconista em um posto de venda de pescados. Trabalhei como repositora de mercadorias em um mercadinho, balconista de uma papelaria. Fui operadora de telemarketing e recepcionista de hospital. Já fui motorista de Kombi de festa infantil, monitora da piscina de bolinhas e da cama elástica. Já passei pijamas em uma malharia de fundo de quintal e fui atendente de videolocadora cult. Já fui garota do tempo, estagiária em rádio, em TV, fiz alguns curtas, fui assistente de produção no Garota Verão. Fui ameaçada por fotografar uns policiais batendo em um rapaz que havia furtado uns sprays. Já fiz matéria de moto-táxi. Meu codinome era Marilyn Monroe, iniciais MM. Tudo isso me ajudou a ver o mundo de várias formas, conheci pessoas fantásticas, outras nem tanto, aprendi muita coisa, outras vezes não aprendi nada e sai a mesma tosca de sempre, mas a beleza de estar viva é essa. Agora quero ser astronauta.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

pela fresta, a única imagem que ele via era de uma TV de 100 polegadas projetada da janela da sala do apartamento sem cortinas. imagem sem áudio sob uma espécie de cabana contemporânea feita de lona, tecidos e todos os elementos que um dia foram de alguém.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ao me jogar do precipício só senti os cabelos ao vento.


sábado, 20 de julho de 2013

não sou esse tipo de garota. sou pior. sou uma senhora balzaquiana.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

meus avós

não sei se é o sul, se é o vento ou se é só uma melancolia incrustada nos veios do rosto. as mãos grossas, a enxada, o sol. a comida fria, o leite, as vacas, a rotina das madrugadas e das noites curtas. a semente, a água e o mar. os ciclos que recomeçam e que levam o tempo consigo. a saudade dos olhos azuis do céu e do dominó.

sábado, 22 de junho de 2013

Absolutamente indignada com o Credicard Hall e a Tickets For Fun. Se há algo que merece uma manifestação e um boicote são sim essas empresas de shows e há tempos. Taxas abusivas além do valor do ingresso, taxa para você imprimir o negócio em casa. Ontem fui comprar o ingresso pro show do Morrissey via Tickets For Fun. A Pista custa R$ 110 a meia e R$ 220. Só de taxas de serviço e uma taxa para eu retirar o ingresso no local, custava R$ 35 a mais. Achei um absurdo. Fui até o Credicard hoje. Pra começar um lugar que não tem acesso a pedestres já é de estranhar. Odeio esse pensamento idiota que prioriza carros e supostamente o poder econômico como se ele fosse representado por bens. Depois de uma hora na fila e apenas um guichê aberto para atender quem comprava ingressos diversos, um atendimento ridículo. Uma moça, que obviamente não tem culpa, mas faz parte do bolo, com uma tabelinha mostrava muito toscamente a localização da plateia. Não havia um computador, um monitor como em qualquer cinema ou casa de espetáculos. Eu mal ouvia o que ela dizia porque havia aquele vidro com o autofalante que reproduz uma voz robótica e que obviamente não estava funcionando. Fico indignada com isso, com esse descaso. Se há um preço de ingresso, acredito que ali já estaria embutido todas as taxas. Claro, se a pessoa quer receber em casa, obviamente pode-se cobrar por isso, mas é abusivo esse sistema como é feito hoje. Me indignei e só comprei porque é o Morrissey, um dos meus ídolos-mor, mas vou começar a boicotar isso tudo.