quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Resoluções 2014

Fim de ano é normal a gente pensar nos planos e nas mudanças para o próximo ano. Eu quero muito voltar e resgatar a pedra bruta em direção à vidraça que eu era quando tinha 16, 17 anos. Apesar da timidez e do medo, algo dentro de mim me movia, mas me continha porque achava que era jovem demais e que no futuro as coisas iriam mudar. Agora sinto que já estou um pouco velha pra certas coisas, mas estranhamente a alma adolescente ainda é latente. O duro é constatar que com o passar dos anos você fez muita coisa que achou que nunca iria fazer, e que talvez você não tenha se tornado uma pessoa tão legal como você queria ser. Eu era muito idealista aos 16 anos. Era definitivamente alguém melhor. Em 2013 já mandei muita gente se fuder, coisas que não estavam me fazendo bem foram meio que exterminadas no momento e me orgulho disso, apesar de ter perdido oportunidades também por isso. Mas em 2014 quero resgatar o espírito rock'n'roll adormecido que habita esse ser. Deixar de ser apática e alguém que deixa a vida correr. Mandar o consumismo pro inferno e seguir meu coração. Minhas resoluções são pra tentar me encontrar com a garota de 16 anos anos atrás que queria ter uma banda, fazer um filme e caminhar pelo meio-fio. 2014 será o ano de finalmente dar um "mosh" ou stage diving.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sabe a hora que dá vontade de sair correndo pelada gritando pela rua só de raiva? Pois é, hoje ainda não deu.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os Incríveis - O Grande Desafio

O querido Arilson Arraes, ou Arilson Araripina, foi o grande vencedor da primeira temporada de Os Incríveis - O Grande Desafio, exibido pelo NatGeo Brasil! \o/

Obrigada a todos os participantes, a todos que trabalharam nesse projeto e que me ensinaram tanto, ao Cazé maravilhoso! Foi um trabalho exaustivo, difícil, mas com muitas histórias e vivências.

Aprendi muito fazendo tanto a produção de conteúdo, quanto auxiliando na produção de casting e me sinto mais feliz por ter sido uma pequena peça dessa engrenagem. E agora passa um filme de como tudo começou.

Vi o Arilson de relance em um programa de esportes na TV e achei que ele tinha o perfil do programa que estávamos começando a produzir. Conversei com a querida Mariane Kawasaki, produtora, sobre o que ela achava, mas o nosso desafio era contactar o Arilson. Achei a matéria completa na internet e descobri que ele era de Araripina, no interior de Pernambuco. Mas, como contactá-lo? 


Como sou de uma cidade pequena, lembrei que geralmente o assessor de imprensa da prefeitura é o cara que conhece todo mundo da cidade, ainda mais sendo um menino prodígio que já tinha dado algumas entrevistas. Pensei, não custa tentar. Consegui falar com o Jorge Posseti, assessor de imprensa da prefeitura, que foi um querido. Disse que conhecia o Arilson, mas não tinha o contato dele, que iria tentar falar com o pai do Arilson e me pediu para entrar em contato no dia seguinte. Jorge conseguiu, na época o pai do Arilson estava sem telefone, eles compraram um só para que pudéssemos conversar. 


E assim foi, esse menino simpático e carismático, que tem uma grande memória, é apaixonado por futebol, já sabia muita coisa e conseguiu decorar ainda mais informações para participar do programa. Passou pela primeira fase e passou pela final. Eu estava torcendo por todos os participantes, porque todos mereciam e todos realmente são incríveis, mas foi inevitável conter as lágrimas quando vi dos bastidores o pai do Arilson abraçando o filho e depois me agradecendo por ter feito o primeiro contato. "Você tem uma parcela nessa conquista", me disse. E isso valeu tudo. 


Mas, esse prêmio é total mérito de vocês Arilson! Seu e de sua família por incentivá-lo. Sei o quanto esse prêmio pode ajudá-los a ter uma vida um pouco melhor e isso foi o mais gratificante de tudo. Obrigada Arilson. Obrigada por ter me ensinado tanto.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Danilo Gentili é rock!


Com a bundamolização do rock brasileiro (e das artes em geral), acho que os humoristas são hoje os caras mais rock'n'roll nas atitudes e ideias no cenário artístico nacional. Às vezes desnecessários, exagerados, fora de propósito (como todo mundo diga-se de passagem), mas ao mesmo tempo questionando a sociedade e seus paradigmas. Ao mesmo tempo ainda que também reforçam muitos preconceitos e estereótipos, embora se isso for levado a sério, está presente desde o início da comédia, desde Aristóteles. Ela é calcada justamente nos estereótipos ou exageros das fragilidades humanas. Enfim, mas para complementar tudo isso, quem não tem nenhum tipo de preconceito ou questionamentos sobre alguma coisa que atire a primeira pedra. Todos somos hipócritas quase o tempo todo. 

E o Danilo Gentili é um dos expoentes nesse turbilhão entre bater e apanhar por defender piadas e ideias. Quase um Rocky Balboa que apanha e continua seguindo o que acredita. Com as devidas proporções, às vezes também o vejo como um personagem de Milan Kundera.

Eu acho que ele, ainda que desajeitado e com argumentos que especialistas consideram frágeis, puxou para si uma responsabilidade imensa ao questionar um governo que a maioria aprova, eu inclusive. Acho que apesar de tudo o Brasil avançou muito, especialmente para as pessoas mais simples que visivelmente hoje tem uma qualidade de vida melhor, mas não foi só o governo, foram diversos fatores econômicos mundiais, etc.. Eu mesma, só terminei a faculdade porque consegui a bolsa de estudos pelo Prouni, mas de verdade, o certo seria ninguém ter que pagar nada para estudar, mas se não fosse o Prouni teria levado pelo menos mais uns dois anos para finalizar.


Acho que infelizmente seria ingenuidade acreditar que só houve mensalão no governo do PT, que no meu ponto de vista também não é mais esquerda há um bom tempo. Na verdade não sei se existe mais esquerda no Brasil ou no mundo. Não sei se efetivamente algum dia existiu, sendo que Cuba, URSS e China apresentaram regimes ditatoriais, sangrentos em que o coletivo foi massa de manobra. E claro, o indivíduo como indivíduo pensante e questionador, não existe. Sem falar que pegaram o pior do capitalismo criando escravos em nome da mais valia. Pra mim nada pode ser mais absurdo do que matar uma pessoa pelo que ela acredita e isso aconteceu tanto por defensores da direita quanto da esquerda.

Infelizmente a corrupção está tão intrínseca na sociedade brasileira, essa mania em querer se dar bem está presente no cotidiano das pequenas às grandes coisas que para mim é o grande câncer social. Logo, a corrupção no Brasil existe em todas as camadas sociais e em todos os partidos também. Obviamente que nada justifica mensalões, propinas e que as prisões foram justas e necessárias. Acho ainda que o PT deveria ter feito a reforma tributária, promessa antiga do Lula, acho que poderíamos ter um país melhor, mais justo, e claro, que a corrupção das pequenas às grandes coisas precisa acabar. 


Acredito que todas as pessoas tem direito de questionar e se posicionar contra ou a favor o que quer que seja e não lembro de nenhum outro humorista no Brasil, ou artista, que tenha passado pelas sabatinadas públicas que o Danilo e o Rafinha Bastos passaram nos últimos anos. Claro que eles não são ingênuos, ou são, não sei, mas se posicionam e pagam um preço por isso. Só sei que deve ser muito difícil ser esses caras, levar tanta pedrada, bater de frente com um monte de gente, com instituições, ideologias em nome de piadas/ideias, na pressão de tentar ser engraçado e agradar ao mesmo tempo que questiona... O eterno arlequim que tem permissão para ridicularizar todo mundo para fazer graça, inclusive o próprio rei, mas está sempre sobre o meio-fio. 


Estava pensando sobre tudo isso e acho que de forma meio torta e esquisita, mas com a sua opinião e o direito de expressá-la, o Danilo está colocando um país inteiro para questionar e se questionar. E embora essa já famosa discussão dos "limites do humor" esteja saturada, creio que está sendo válida para todos nós pensarmos e reavaliarmos também sobre nossos posicionamentos políticos e éticos. Acho que se Aristóteles estivesse vivo ele gostaria do Danilo. 


Mas em geral vejo que há muita violência e agressão, de todos os lados. De quem é a favor ou contra os humoristas. Dos humoristas contra quem se posiciona contra eles. De quem se acha de direita ou de esquerda, de representantes de grupos étnicos, grupos de gêneros ou grupos religiosos. Tempos pesados e difíceis, embora acredite que todos sairão melhores depois disso.  Por fim, compartilho um texto interessante sobre a perseguição ao Danilo. Independente de concordar ou não, acho que vale a leitura. Danilo Gentili, as panquecas e o pensamento


Adendo: site em que Danilo Gentili responde algumas críticas - http://www.respondendoidiotas.com.br/

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


Já fui editora de conteúdo web do Educativo da Fundação Bienal de São Paulo, também já trabalhei como assessora de imprensa, jornalista, repórter. Fiz uma monografia sobre Eduardo Coutinho, fui mérito acadêmico e deixei a medalha numa gaveta. Tenho interesse em documentários, dramaturgia,  produção de roteiros para cinema, web, TV, mas fracassei no meu TCC da pós, um roteiro de um longa sobre uma mulher de 30 anos que fracassa.  Já fiz alguns cursos na área de humor, como improviso e stand-up comedy, mesmo sem ser engraçada. Já fiz coisas sérias como ser assessora de imprensa de um palestrante mágico. Já fui vendedora de consórcios de motos, mas não vendi uma sequer. Já fui caixa de supermercado, montadora elétrica, balconista em um posto de venda de pescados. Trabalhei como repositora de mercadorias em um mercadinho, balconista de uma papelaria. Fui operadora de telemarketing e recepcionista de hospital. Já fui motorista de Kombi de festa infantil, monitora da piscina de bolinhas e da cama elástica. Já passei pijamas em uma malharia de fundo de quintal e fui atendente de videolocadora cult. Já fui garota do tempo, estagiária em rádio, em TV, fiz alguns curtas, fui assistente de produção no Garota Verão. Fui ameaçada por fotografar uns policiais batendo em um rapaz que havia furtado uns sprays. Já fiz matéria de moto-táxi. Meu codinome era Marilyn Monroe, iniciais MM. Tudo isso me ajudou a ver o mundo de várias formas, conheci pessoas fantásticas, outras nem tanto, aprendi muita coisa, outras vezes não aprendi nada e sai a mesma tosca de sempre, mas a beleza de estar viva é essa. Agora quero ser astronauta.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

pela fresta, a única imagem que ele via era de uma TV de 100 polegadas projetada da janela da sala do apartamento sem cortinas. imagem sem áudio sob uma espécie de cabana contemporânea feita de lona, tecidos e todos os elementos que um dia foram de alguém.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ao me jogar do precipício só senti os cabelos ao vento.


sábado, 20 de julho de 2013

não sou esse tipo de garota. sou pior. sou uma senhora balzaquiana.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

meus avós

não sei se é o sul, se é o vento ou se é só uma melancolia incrustada nos veios do rosto. as mãos grossas, a enxada, o sol. a comida fria, o leite, as vacas, a rotina das madrugadas e das noites curtas. a semente, a água e o mar. os ciclos que recomeçam e que levam o tempo consigo. a saudade dos olhos azuis do céu e do dominó.

sábado, 22 de junho de 2013

Absolutamente indignada com o Credicard Hall e a Tickets For Fun. Se há algo que merece uma manifestação e um boicote são sim essas empresas de shows e há tempos. Taxas abusivas além do valor do ingresso, taxa para você imprimir o negócio em casa. Ontem fui comprar o ingresso pro show do Morrissey via Tickets For Fun. A Pista custa R$ 110 a meia e R$ 220. Só de taxas de serviço e uma taxa para eu retirar o ingresso no local, custava R$ 35 a mais. Achei um absurdo. Fui até o Credicard hoje. Pra começar um lugar que não tem acesso a pedestres já é de estranhar. Odeio esse pensamento idiota que prioriza carros e supostamente o poder econômico como se ele fosse representado por bens. Depois de uma hora na fila e apenas um guichê aberto para atender quem comprava ingressos diversos, um atendimento ridículo. Uma moça, que obviamente não tem culpa, mas faz parte do bolo, com uma tabelinha mostrava muito toscamente a localização da plateia. Não havia um computador, um monitor como em qualquer cinema ou casa de espetáculos. Eu mal ouvia o que ela dizia porque havia aquele vidro com o autofalante que reproduz uma voz robótica e que obviamente não estava funcionando. Fico indignada com isso, com esse descaso. Se há um preço de ingresso, acredito que ali já estaria embutido todas as taxas. Claro, se a pessoa quer receber em casa, obviamente pode-se cobrar por isso, mas é abusivo esse sistema como é feito hoje. Me indignei e só comprei porque é o Morrissey, um dos meus ídolos-mor, mas vou começar a boicotar isso tudo.

domingo, 19 de maio de 2013

Mais um exame de rotina. Na verdade, não. Um exampe pré-operatório. Subo as escadas, dou graças a Deus pelo laboratório estar vazio num sábado pela manhã. São quase 9h. O curso de assistente de direção começa às 10h, vai dar tempo. Faço o cadastro, vou pro primeiro andar e sou chamada. Janaína, uma moça simpática, prepara meu braço. Algodão, álcool, a picada. Viro os olhos para o outro lado, não quero ver meu sangue. Só sei que foram uns quatro ou cinco tubinhos. E depois, mais uma picadinha na orelha esquerda. Um teste para ver a coagulação do sangue. A sensação que há uns três anos não sentia. A leve suspensão, a perda dos sentidos, o zunido chegando. Aviso Janaína que sinto a iminência do desmaio. Ao terminar de pronunciar as palavras, a queda. Sonho algo, não lembro o que. Acordo, assustada, sem saber onde estou. Janaína não me é familiar. Ela me abana. Dois ou três segundos e me dou conta do que faço ali. Deito na maca, meio tonta, Janaína levanta minhas pernas, começo a melhorar. Ainda penso em ir para o curso, mas ao sentar, volto a ficar tonta, náusea, mal estar, vômito. Depois de alguns minutos, sento na sala de espera. Pego o elevador, desço as escadas do prédio 518. Chego na calçada. Um taxi na porta. Pergunto se estava livre, o taxista diz que espera a mãe. Atravesso a rua, meio tonta. Outro taxi, esse livre. Peço desculpas pro taxista. Do 518 para o 101. Uma corrida curta, R$ 5,60. Não conseguiria caminhar os 400 metros. O caminho do elevador até a porta da minha casa demora uma eternidade. Abro a porta, tranco meio cambaleante. Jogo a mochila e o casaco no sofá. Corro para o banheiro. Não há mais nada no estômago. Aviso que não posso ir ao curso. Durmo várias horas. Algo não está bem, mas só queria lembrar do que sonhei.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

Amo ir em shows, adoro ver os caras que tanto gosto tocando, se jogando no palco, sentir o rock'n'roll pulsando, mas cada vez mais me irrito com o público. Pessoas fumando na sua cara, empurrando, se plantando na sua frente, sempre com a maior cara de pau e fingindo que já estavam ali há muito tempo. Gente que não liga para nada e ninguém. Gente que dança batendo em você. Geralmente umas meninas chatas fazem isso. Os caras, em geral, são mais tranquilos. Estou velha. Sem paciência para as pessoas. Ontem, no show do The Cure fiquei pensando numa frase do Kurt Cobain que de praticamente toda aquela multidão talvez poucas pessoas realmente entendessem o que ele dizia. Sei que pode parecer absurdamente arrogante, mas sinceramente acho que pouca gente realmente entende o que os caras falam, especialmente caras como Robert Smith, Morrissey, Kurt, Dylan, Eddie Vedder. As pessoas são muito egoístas e sempre olham para o próprio umbigo, para uma forma de se dar bem. Durante o show do Mr. Smith e sua trupe, projeções de cenas de guerra, de ditadores, da ridicularidade humana. E acho que pouca gente percebeu. Enfim, cada um sente as coisas de uma forma. Eu ando questionando se esse é o meu lugar.