sábado, 29 de agosto de 2009

Ação Consciente

Fonte: Instituto Nina Rosa

Grandes empresas estão sempre pensando na preservação do meio ambiente e na otimização de recursos. E pensando nisso, a Spranq – uma agência de comunicação holandesa – criou uma fonte ecologicamente correta, baseada na ideia de Colin Willems, chamada Ecofont®.

A Ecofont® foi criada com base na fonte Vera sans. A ideia básica foi a criação de uma fonte que tem espaços em branco, como furos, dentro dela. Isso permite uma economia de tinta da impressora muito superior às impressões com fontes normais. A economia é de cerca de 20%.

ecofont

Note na imagem que a Ecofont® tem furos dentro dela, são estes furos que permitem a economia de tinta. Alguns especialistas dizem que não há certeza de que a fonte será utilizada em grande escala profissionalmente. Claro que para uso doméstico e uso interno nos escritórios, funciona muito bem, pois você pode economizar bastante. No mínimo, é uma grande ideia.

A Ecofont® funciona bem nos tamanhos 9 e 10. A qualidade da impressão depende também da qualidade da impressora e do software.

O ambientalismo é um assunto muito importante e devemos pensar em todas as maneiras de proteger o lugar onde vivemos. Por isso, sempre existem profissionais pensando em maneiras práticas para garantir o nosso futuro.

Aí vai uma dica: baixe a Ecofont® no seu computador e faça um teste. Comece a economizar tinta da sua impressora na sua casa ou escritório. Assim, você protege o planeta e também o seu bolso.

Fontes de pesquisa:

Site da Ecofont: http://www.ecofont.eu/ecofont_pt.html


Site da agência Spranq: http://www.spranq.nl/en/


Revista National Geographic Brasil, agosto de 2009. http://ngbrasil.com.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Gilmar Mendes, em Curitiba, amanhã!

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, desembarca em Curitiba na próxima sexta-feira (28/8).

Mendes deve fazer uma palestra às 19 horas, no auditório do 10º andar do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.

O Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná) apurou que, antes, às 17 horas, o presidente do STF deve se reunir com o presidente do TJ, também na sede do órgão.

O Sindicato convida jornalistas e estudantes a participar, no Centro Cívico, de uma recepção calorosa ao ministro, relator da ação que retirou a obrigatoriedade do diploma em jornalismo para o exercício profissional.

A visita acontecerá um dia depois de uma audiência pública realizada na Camara dos Deputados, em Brasília, sobre a questão do diploma.

Tramitam no Congresso Nacional duas propostas de emenda constitucional (PECs) que restabelecem a exigência da formação específica em jornalismo. Uma frente parlamentar mista está em processo de criação.

O Sindijor-PR pretende publicar em breve a relação de deputados e senadores paranaenses que já aderiram à frente pró-diploma.

Visite Jornalista, só com diploma! em: http://jornalista-so-com-diploma.ning.com

sábado, 22 de agosto de 2009

Assista ao vídeo e ajude um animalzinho a se alimentar

Campanha da Pedigree "Adotar é tudo de bom". Assista ao vídeo abaixo e garanta um prato de ração para um animal abandonado.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Meu irmão que queria ser o Taffarel

Simone Castro

Lembro-me agora daqueles tempos antigos de minha infância na Vila Ideal, em Canoas, Rio Grande do Sul, onde os meninos corriam pelos campinhos de várzea e onde uma gurizada sem fim se reunia pra jogar bola nas tardes após a aula. Devia ser entre 1988 ou 1990, quando eu não tinha mais do que sete ou oito anos e era a única menina do grupo a brincar com os meninos. Geralmente eu ficava só olhando, outras vezes eu jogava também.

Lembro do meu irmão Fabiano, aquele garoto meio gordinho que ia pro gol fazer suas defesas maravilhosas e imitava as jogadas e os lances de Cláudio Taffarel, seu maior ídolo até então. Engraçado era que todos lá em casa sempre foram gremistas, e meu irmão talvez fosse o mais fervoroso, mas estranhamente seu ídolo jogava no time adversário. Enfim, coisas de garoto.

Lembro que não importava o campinho, mas uma coisa era sempre igual: ao redor da área do goleiro tinha uma grande rodela de mato desmatado e o chão vermelho embarrava os uniformes que não eram nada mais do que roupas velhas ou camisas brancas com os números pintados atrás com tinta de tecido. O Fabiano, ou apenas Mano, como insisto em chamá-lo até hoje, usava uma fita crepe para pintar o número que deveria ficar milimetricamente compatível e a tinta não devia borrar. Depois ele tirava a fita e o número ficava certinho.

Uma vez eu joguei no gol e um garoto que era nosso vizinho chutou uma bola forte na minha barriga. Meu irmão, sem hesitar, não pensou duas vezes e foi tirar satisfação com o menino. Foi o maior quebra-pau. O Fabiano deu uns bons sopapos no garoto magrela que se achava o melhor em tudo. Era o típico dono da bola, ninguém o suportava, mas os meninos todos aceitavam que ele jogasse porque tinha o poder de ter a redondinha.

E tinha o Jonathan, um amigo de meu irmão que eu achava bonito. Eu, ainda tão pequena pensava que quando crescesse poderia, quem sabe, vir a me aproximar dele. Tinha ainda os passeios de bicicleta. Como meu irmão é cinco anos mais velho, suas zicas ou magrelas, como se denomina bicicleta aqui em Santa Catarina, passavam dele pra mim. Eu tinha uma BMX que tinha sido dele e que por seu zelo e cuidado, foi motivo de muitas brigas entre nós. Ela era bordô metálica, linda e eu caí alguns tombos com ela. Arranhei braço, perna, aquela coisa de criança. Tinha também a “Nastácia”, bicicleta da minha mãe com freio de pé. Meu irmão me colocava na garupa e pedalava o mais que podia. Meus cabelinhos lisinhos voavam com o vento que batia em meu rosto enquanto ele ria e se exibia pra mostrar o quanto conseguia ser veloz. Até hoje é apaixonado por velocidade.

As atividades esportivas tinham um sabor de quero mais, especialmente no verão, quando anoitecia quase sempre por volta das 21h. O Sol se põe mais tarde no sul do País. É estranho, porque aqueles anos, aproximadamente sete ou oito anos de minha vida se imortalizaram de tal forma que parecem muito mais. A minha infância é como se tivesse sido há muito tempo, mas também estivesse aqui perto. Eu e meu irmão crescemos, mas ainda guardamos dentro de nós aquelas coisas. As brincadeiras com as panelas de nossa mãe, os carrinhos dele que eu quebrei, as corridas, o pega-pega, esconde-esconde, a diversão que era tomar banho de piscina de plástico, as figurinhas do Campeonato Brasileiro e as jogadas de “bafo” pra ver quem conseguia ganhar mais exemplares pra completar o álbum antes.

Lembro-me quando meu irmão ganhou o troféu de goleiro menos vazado e seu time de futebol da escola foi campeão. Até hoje ele guarda o troféu de latão, que pra ele é como se fosse de ouro.

Meu irmão queria ser goleiro profissional, mas os caminhos da vida o levaram pra outro sentido. Hoje ele é gerente de uma concessionária de caminhões, outra de suas paixões. E mesmo com seus quase 1,90 metros de altura e seus 31 anos, quando olho pra ele ainda vejo aquele pequeno garoto que me chamava de “seca” nas discussões, mas que me carinhosamente dizia Mone quando estava de bem comigo.

Sempre achei interessante ver o mundo com os olhos de um menino e meu irmão me deu este olhar. Eu, a menina que brincava de bonecas, de Barbie com as outras meninas, mas admirava e me interessava por aquele mundo deles, tão particular, tão interessante. Parece que foi ontem que nós dobramos a esquina e que chegamos até aqui.

*Crônica esportiva realizada para a matéria de Jornalismo Especializado, ministrada pela jornalista Valquíria Michela John (2008).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Episódio 4 - Flying Kebab

Mostra de Cinema Jodorowsky

Abertura com Palestra sobre Jodorowsky

Período: 24 a 27/08

Local: Univali-Itajaí (Biblioteca Central)

Horário: 19h30

ENTRADA FRANCA

O projeto é uma parceria do Sesc com Centro Cultural Banco do Brasil. A mostra será composta pelos filmes: “A montanha mágica”, “El Topo”, “Fando e Lis” e “LaCravate”. O Período de realização é de 24 a 27 de agosto de 2009.

Jodorowsky iniciou sua carreira no cinema incompreendido pelo público. Era 1968, exibição de Fando e Lis no Festival de Acapulco no México. O diretor teve que sair do teatro pela porta dos fundos. Já o segundo longa-metragem, lançado timidamente em uma madrugada de 1970, nos EUA, ganhou enorme repercussão, devido a admiração expressa de John Lennon e Yoko Ono, que assistiram incidentalmente à película. El Topo obteve assim bilheteria expressivae ficou marcado como o primeiro “Midnight Movie”, mudando para sempre a estratégia de promoção dos filmes underground.

Cineastra, dramaturgo, literato, ensaísta, tarólogo e especialista em psicomagia, Jodorowsky é fundador do teatro do pânico com os surrealistas espanhóis Arrabal e Topor. É também reconhecido como grande autor de histórias em quadrinho, e considerado um dos percussores da arte multimídia.

Os participantes da mostra recebem um catálogo sobre a vida e a obra deste cineastra produzido em parceria entre o SESC e o Centro Cultural Banco do Brasil. A Mostra Jodorowsky promovida pelo SESC exibe seus quatro primeiros trabalhos: o curta-metragem Le Cravate (1957), e os longas-metragens Fando e Lis (1968), El Topo (1970) e A Montanha Sagrada (1973).

Contato:
Marcelo Morais
Setor de Cultura e Turismo Social
SESC-Itajaí-SC
Fone: (47)3349-4096 / 9946-3388

domingo, 16 de agosto de 2009

Neide Duarte, A jornalista!

Situações simples e cotidianas se transformam na mais pura e verdadeira poesia. O olhar observador, poético e singelo de Neide Duarte apresenta o jornalismo em sua forma mais profunda: o do saber ouvir. Pra mim ela é sem dúvida a melhor jornalista deste país.

Desde criança eu ouvia aquela voz doce e suave e pensava: como são boas suas matérias! Somente com o passar dos anos eu memorizei seu nome e muitos anos depois, quando me perguntavam na faculdade sobre um jornalista referência, logo vinha o nome da Neide na minha cabeça. Todos os projetos que ela já fez, como o Frutos do Brasil (abaixo uma entrevista dela sobre a iniciativa), Caminhos e Parcerias (série para a TV Cultura), entre tantas matérias sobre cultura, cotidiano, artes, grandes-reportagens para o Globo Repórter, etc, etc... Tudo tão bacana!
Os mais próximos sabem que eu quando uma reportagem sua é exibida eu paro tudo e fico atenta olhando para a TV.

Ela é cativante por sua simplicidade, facilidade em ouvir pessoas anônimas, em andar pelas ruas, em ouvir gente, em se transpor e se inserir no que reporta. Neide é humana, demasiadamente humana. Quando eu crescer quero ser um pouquinho como ela, ter um tantinho de sua sensibilidade ao sintetizar fragmentos de histórias de vida em registros audiovisuais. Obrigada por tudo Neide!

Abaixo uma amostra do grande talento desta paulistana fantástica! Bjos






sexta-feira, 14 de agosto de 2009

“Clube de Cinema Idoso em Foco” expande suas atividades para os Asilos de Itajaí



O Projeto “Clube de Cinema Idoso em Foco”, que leva cultura e informação até os idosos através da exibição de filmes, é uma parceria entre a Fundação Cultural de Itajaí e o Conselho Municipal do Idoso. Além de atender os Centros de Convivência do Idoso o programa passa, agora, a atender também os Asilos de Itajaí. A partir deste mês, os idosos do Asilo Dom Bosco e do Asilo Quatro Estações vão ser beneficiados com a exibição dos filmes.

Com o Projeto os idosos podem assistir documentários e curtas-metragens que resgatam a história de Itajaí, seus Bairros, Prédios Históricos e alguns personagens que contribuíram para a formação da cidade, resgatando a vivência de muitos idosos neste contexto. Baseado na Política Municipal do idoso, o “Clube de Cinema Idoso em Foco”, visa garantir ao idoso a participação no processo de produção, reelaboração e benefício dos bens culturais. Assim como, valorizar o registro da memória e transmissão de informações e habilidades do idoso aos mais jovens, como meio de garantir a continuidade e a identidade cultural.

Através da garantia desta Política Municipal ao Idoso, a Fundação Cultural também se preocupa em propiciar ao idoso o acesso aos locais e eventos culturais, mediante preços reduzidos, cobrando apenas o valor de meia entrada. Também incentiva os movimentos de idosos a desenvolver e vivenciar atividades culturais, todas com o respaldo da Fundação e do Conselho do Idoso, para garantir cultura, esporte e lazer para terceira idade.

Fonte: Fundação Cultural de Itajaí

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mateus, o balconista!

Conheci hoje e não parei de assistir os vídeos de Mateus, o balconista. Declaradamente inspirado em Clerks (O Balconista), primeiro filme de Kevin Smith, a séria brazuca foi produzida ano passado pela Cavídeo Produções para o projeto OI TV Móvel. Assim, se tornou o primeiro longa produzido para celular no Brasil. Já são duas temporadas disponíveis também no You Tube. Tentei postar quase todos os episódios aqui. É um longo tempo, mas vale a pena.

A série tem direção de Cavi Borges, co-direção de Pedro Monteiro e roteiro dos dois. A curiosidade é que a locadora onde o vídeo se passa realmente é do diretor Cavi. Localizada no bairro Humaitá, no Rio de Janeiro, o espaço também serviu de locação para o primeiro curta do músico Marcelo Yuka: "O filme do filme roubado do roubo da loja de filmes".

Além do ótimo texto e das situações realmente parecidas com o que rola nas videolocadoras, o sucesso de Mateus, o balconista está nos atores. Mateus Solano está mais do que perfeito no personagem central, assim como todo o restante do elenco.

Eu que trabalhei por quase um ano em uma videolocadora cult de Porto Alegre me identifiquei profundamente com a trama. Inclusive já pensei várias vezes em fazer algum vídeo sobre isso, mas agora acho que seria demais.

Realmente há diversos perfis de clientes e os atendentes de videolocadora geralmente descarregam toda a raiva e frustração em cima destas pessoas. Mas, que algumas merecem, ah isso merecem...

É isso, bjos! Confiram aí a longa lista!!!

















































segunda-feira, 10 de agosto de 2009

All I Need!

Uma música, diversas versões de imagens... Radiohead...







sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Duas tábuas, uma câmera e uma paixão

Amir Labaki

O cinema de Eduardo Coutinho é uma arena na qual pessoas contam fragmentos de histórias. Verdadeiras ou falsas, ficcionais ou reais, adulteradas ou intactas, emprestadas ou próprias. Neste sentido, “Moscou”, seu novo filme, representa uma ruptura menos radical do que nos parece em primeira impressão.

Pela primeira vez numa década, desde a consagradora acolhida a “Santo Forte” (1999), Coutinho abandona por completo o dispositivo do “cinema de conversa”. Dois documentários que rodou neste período já haviam ido além do mecanismo da entrevista. “Peões” (2004) o complementa com material de arquivo do movimento operário no ABC do começo dos anos 1980. “Jogo de Cena” (2007), por sua vez, embaralha depoentes e atrizes, testemunho, auto-ficção e ficção de origem real.

“Moscou” concentra-se agora apenas em intérpretes profissionais. Se antes os atores eram convidados a emprestar suas personas a histórias verdadeiras alheias, agora são levados a emprestar suas vivências a um drama ficcional de Tchecov.

Não se trata de teatro filmado, de um “making of” de uma peça, ou sequer de um documentário sobre os bastidores de uma montagem. “Moscou” contém elementos desses três subgêneros mas é uma obra híbrida e originalíssima. Não é um filme “sobre” alguma coisa. “Moscou” é “Moscou” é “Moscou” – uma experiência ímpar construída a partir de fragmentos de motivação variada, registrados durante os ensaios encomendados para uma montagem teatral descompromissada de gerar um espetáculo autônomo.

Coutinho convidou o Grupo Galpão e o diretor Henrique Dias, que jamais trabalhara com a trupe mineira, para colaborar em três semanas de filmagens de um exercício teatral em cima de “As Três Irmãs” de Tchecov. “O importante na obra de Tchecov”, disse ele a “O Globo”, “é que ela é inacabada, incompleta, fragmentada, precária. São peças sem trama e sem final. Foi isso que me interessou na peça. E no meu cinema também é assim”.

Creio haver mais um motivo. “As Três Irmãs” é uma peça protagonizada por mulheres. Também é assim o cinema de Coutinho, com raras exceções, “Peões” sendo a principal.

Este texto em pedaços serve como uma luva para seu documentarismo despedaçado. “Moscou” não resume “As Três Irmãs, tampouco é uma análise do texto, ao contrário por exemplo da brilhante operação de Al Pacino em “Ricardo 3º – Um Ensaio” (1996).

Para emprestar um termo hitchcockiano, “As Três Irmãs” é apenas o “MacGuffin” para Coutinho realizar “Moscou”. “MacGuffin”, segundo Hitchcock, é o pretexto dramático (o desaparecimento de uma senhora, por exemplo) que serve como motor para o desenvolvimento de uma de suas aventuras. A aventura de Coutinho é registrar em movimento criativo os corações, corpos e mentes de um grupo excepcional de atores e atrizes orientados por um dos principais diretores de teatro do país. É um “MacGuffin” nobre e exigente, mas um “MacGuffin”.

Esse dispositivo fílmico não tem precedentes na obra de Coutinho mas ainda assim o resultado rima no todo e em inúmeras sequências com seus filmes anteriores. Eis logo de saída a tradicional introdução em sua própria voz, com Coutinho explicando pessoalmente, para o Galpão, Dias e nós espectadores, o jogo que propõe. “Meu cinema”, frisa o diretor na entrevista citada, “é um cinema que fala sobre o que é fazer cinema”.

O espaço me limita a dois outros exemplos. Alguns minutos mais tarde, eis Henrique Dias fazendo “Coutinho”. Ele convida os intérpretes a apresentar depoimentos pessoais que mobilizem uma memória afetiva similar a de personagens da peça. A auto-ficção tão cara a Coutinho mais uma vez pede passagem, e o fará em vários momentos posteriores.

Mais perto do fim, Roberto Carlos. Na cena mais bela de “Moscou”, tanto do ponto de vista plástico quanto dramático, um casal de atores entoa, a capella e à luz de fósforos, “Como Vai Você”. Coutinho celebra assim, mais uma vez, a música que, em sua obra, congraça a sensibilidade popular brasileira. “Moscou” é aqui.

“Moscou” não é o “filme de teatro” de Eduardo Coutinho. Seria ainda mais simples entender isso se pudesse vir a ser visto algum dia em sessão dupla com o delicado “Era Preciso Fazer as Coisas” (2007, inédito no Brasil), documentário português em que Margarida Cardoso radiografa o processo existencial de uma montagem de “Tio Vânia” do mesmo Tchecov. Coutinho investiga, sim, mais uma vez, o que é o cinema, libertando o documentário brasileiro do monopólio do assunto. Nesta operação sensibilíssima, testa o filme como nosso instrumento de pesquisa para saber porque vivemos, porque sofremos.

07/08/2009 - É tudo verdade

Contato: labaki@etudoverdade.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Favela é Isso Aí lança 2º Festival Nacional de Vídeos

Favela é Isso Aí lança 2º Festival Nacional de Vídeos


A ONG Favela é Isso Aí realiza a 2º Edição do Festival Nacional de Vídeos Favela é Isso Aí - Imagens da Cultura Popular Urbana. O principal objetivo do festival é apoiar e divulgar a produção audiovisual sobre a cultura das comunidades de baixa renda, vilas e favelas. Outra proposta é promover o intercâmbio e a reflexão sobre a diversidade cultural das periferias de Minas e do Brasil.

Este ano o festival é realizado sem patrocínio, mesmo assim mantém os prêmios. "O festival é muito importante em vários aspectos: de um lado, como oportunidade para que uma série de projetos sociais, coletivos artísticos e produtores das periferias mostrem sua produção, que, aliás, é crescente e consistente. Por outro lado, é um festival que integra o Brasil todo, que se insere na linha dos festivais de realizadores populares, como o Visões Periféricas, no Rio de Janeiro, o CINECUFA, em Brasília e o KinoOikos, em São Paulo. Por estes e outros motivos, mesmo com todas as dificuldades, mesmo sem patrocinador, o Favela é Isso Aí decidiu realizar a segunda edição do Festival e já tem confirmada a participação de representantes dessas organizações parceiras de outros estados", explica Clarice Libânio, coordenadora da ONG.


Sobre os filmes
Serão aceitos vídeos com duração de três a 15 minutos, inéditos, filmados entre 2008 e 2009 , em qualquer tipo de suporte dv-cam, beta, vhs, película, celular, etc. Podem se inscrever filmes realizados em qualquer formato, desde que enviadas cópias para exibição em Mini DV ou DVD.

Prazos
A inscrição eletrônica (via site) pode ser feita até o dia 17 de agosto. O envio das cópias por correio deverá ser feito impreterivelmente até o dia 10 de agosto. O resultado com os nomes dos vídeos selecionados para as mostras será divulgado pela internet até o dia 14 de setembro. As mostras paralelas e a mostra competitiva serão realizadas em outubro, quando serão conhecidos os vídeos vencedores. As mostras itinerantes continuam em novembro.

Mostras
O Festival Favela é Isso Aí - Imagens da Cultura Popular Urbana terá uma mostra competitiva e mostras paralelas, com realizadores convidados pela organização do festival.
Para a mostra competitiva, serão selecionados e premiados filmes, produzidos em qualquer formato e linguagem, que tenham as comunidades de periferia como foco principal. Os vídeos devem retratar a cultura das comunidades periféricas ou podem ter temáticas variadas, desde que produzidos durante oficinas e projetos sócioculturais realizados em vilas e favelas. Além da premiação para os primeiros colocados, os vídeos selecionados participarão das mostras itinerantes do Festival, nos centros culturais de Belo Horizonte, e, caso seja de interesse e autorizado pelo participante, poderão ser disponibilizados para visualização e download gratuito no site da ONG.


Prêmios
Serão atribuídos três prêmios, no valor de R$ 1.500,00 cada, em espécie ou em equipamentos, com o intuito de fomentar a criação audiovisual nas comunidades. Além dos três prêmios, poderão ser concedidos prêmios extras, por parceiros do Festival, em especial para filmes melhor votados pelo público presente às várias seções do festival.


Festival 2008


A primeira foi realizada no ano passado. Dos 118 filmes inscritos de todo Brasil, 38 foram selecionados para a mostra competitiva, que assim como a paralela, foi realizada no Usina Unibanco de Cinema, no centro da capital. A mostra itinerante foi realizada nas nove regionais da cidade, nos centros culturais. Na Categoria Imagens na Periferia, o filme premiado foi Cidade de Plástico, da diretora Liliane Sena, de Salvador. Na categoria Singular venceu 788 que tem na direção Fiell e Bruno Thomassin, do Rio de Janeiro. O vencedor na categoria Arte e Cultura Popular foi o filme Quarteirão do Soul de Davi Zocoli, de Brasília. E o público escolheu o filme Bibica, de Belo Horizonte, que levou o premio Júri Popular. Ainda foram concedidos dois prêmios de menção honrosa: um para o filme Guerreiras do Brasil, de Cacau Amaral e outro para Fábio Feter pela excelência e inovação do conjunto da obra inscrito e selecionado para o festival. Os premiados nas categorias Singular, Imagens na Periferia, Arte e Cultura Popular e Júri Popular receberam além do Troféu, prêmio no valor de R$ 1.500.


SUGESTÃO DE FONTE


Clarice Libânio - coordenadora da ONG Favela é Isso Aí

Mais informações: (31) 3282-3816 / www.favelaeissoai.com.br (link no pé da página)

http://www.favelaeissoai.com.br//festival.php

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eventos de adoção de cães e gatos neste fim de semana (31 de julho a 02 de agosto)


01-08-2009 Feira de Adoções GAPA-MA Itaipava Petrópolis RJ
01-08-2009 Mega Feira de Adoção União SRD São Paulo SP
01-08-2009 Feira de Adoção da APA-Botucatu Botucatu SP
01-08-2009 Feira de adoção Projeto Miau Guarulhos SP
02-08-2009 Evento de Adoção Fofuras Curitiba PR
Olhar Animal

Às vezes me envergonho de ser humana




Este é o tipo de situação que me envergonha profundamente em ser considerada da raça humana. Há tantas pessoas boas no mundo, mas há tantas que francamente, não sei o que fazem aqui.

Este cãozinho foi vítima de espancamentos, maus tratos e todo tipo de atrocidade. Para piorar, o animal foi abandonado agonizando no pátio de uma escola. Uma sucessão de pessoas lavaram as mãos para não ter que ajudar o pobre cão até que alguns homens se mobilizaram e resgataram o "Peludo". Ele está vivo, em tratamento e os protetores que cuidam dele precisam urgentemente de ajuda para pagar a clínica veterinária, assim como possíveis pessoas que possam adotá-lo.

O que mais me entristece é saber que situações como esta acontecem a todo instante, em todo mundo. Por que as pessoas tem que descontar em quem é mais frágil? Terrível.

Contato da Associação Paz e Amor Bichos, de Gravataí, que cuida do Peludo:

Léia - starline@pop.com.br

Para quem quiser ajudar os animais abandonados, de rua, seja através de adoções, ou doação em dinheiro, voluntariado, há informações no meu outro blog: http://ajudaparaosanimais.blogspot.com/ Há informações de todo Brasil.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

KT Tunstall - Little Favours



Ignorância minha, mas só conheci a KT Tunstall recentemente através do Tá Ligado, programa que curto regularmente, na Rádio Univali FM, daqui de Itajaí, mas que pode ser conferido pela net também aqui.

Obrigada Roberto, por me apresentar essa fantástica cantora.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Nem cinto, nem suspensório, diga sempre a verdade!


*Resenha sobre o filme A Montanha dos Sete Abutres. Realizada para a matéria Redação Jornalística 6, ministrada pelo jornalista Sandro Galarça (2007). Tava revirando meus textos e encontrei esta resenha. Acho que nunca foi tão atual, nem quando eu a escrevi.

O título desta resenha "Nem cinto, nem suspensório, diga sempre a verdade" parece meio sem propósito assim, lido separado, mas ele tem um significado todo especial e subjetivo no filme “A Montanha dos Sete Abutres”. Dirigido em 1951 por Billy Wilder, que entre tantos filmes fez “Crepúsculo dos Deuses” e “Quanto mais Quente Melhor”, a película faz uma crítica profunda à essência do jornalismo e explora algumas perguntas importantes como: o que é a verdade? O que é notícia? Qual é o limite do repórter? O que as pessoas procuram com a notícia? Qual a função da imprensa?

Diga a verdade! A frase bordada pela doce senhora da editoria de “coisas para mulheres” está na entrada do escritório do Sr. Boot, dono do pequeno jornal de Albuquerque. Entre tantas coisas, ele usa suspensório e cinto, exatamente! Os dois, ao mesmo tempo. Checa duas vezes as informações antes de publicar e sempre fala a verdade. Ou seja, é um homem prevenido.

Um dia aparece em seu jornal, Charles Tatum, um jornalista nova - iorquino. Homem astuto e de caráter duvidoso. Foi demitido de onze jornais, por várias razões, entre calúnias, envolvimento com a mulher do editor e problemas com bebida. Tatum, interpretado por Kirk Douglas, não freqüentou a academia, mas vendeu jornais na esquina, logo tinha toda uma teoria do que era notícia e quais notícias interessavam o público.

O pior de tudo é ver que a crítica ao jornalismo, presente em A Montanha dos Sete Abutres é real e que pouca coisa mudou no que se refere à ética. Existem milhares de Charles Tatuns, sempre pleiteando um espaço, querendo ganhar mais e mais notoriedade, sem se importar com as pessoas ou com as histórias que contam. E existem milhares de pessoas como Leo Minosa, o personagem preso em uma caverna, que em sua ignorância e ingenuidade acredita que será salvo pelo amigo mentiroso, o jornalista Tatum.

A ética é algo tão banalizado que ser ético é ser trouxa e isso era tão real em 51 como é em 2007. Ser ingênuo é ser burro. Não importa a classe social que se faça parte, o mundo do passe para trás está em tudo e especialmente na imprensa. Os meios de comunicação são fundamentais na manipulação, na bajulação desordenada e a ética figura como um detalhe, muitas vezes esquecida em uma gaveta, como uma pauta para mais tarde.

Vale a pena passar por cima de tudo e de todos para ter uma boa notícia, um ótimo salário, ser agraciado pelos leitores, espectadores, ouvintes? Ser jornalista é sinônimo de artista por acaso? Quais informações úteis realmente passamos à frente? Me pergunto isto todo dia. O que quero com o jornalismo? Que tipo de coisa construo a partir de minhas impressões?

Acredito que Tatum pagou seu “pecado” numa frase bem católica. Se não fosse por sua vaidade, a probabilidade de que Leo Minosa saísse muito tempo antes da caverna seria múltipla. Se não fosse por sua arrogância, ele mesmo não teria morrido.

A placa: “Fale a verdade” é tão ousada quanto ditadora. Um pouco mais de sinceridade não faz mal nenhum. Por mais piegas que seja, voltamos sempre aos ensinamentos básicos: onde começa o direito de um, acaba o do outro, talvez isso seja a essência da ética. Talvez as redações precisem mais de cintos e suspensórios, assim como placas de Diga a Verdade! Mas de que adiantam placas, se os olhos não querem ver?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dez Ilhas e um Mundo - Parte 1

Primeiro vídeo da série "Dez Ilhas e um Mundo", produzido pela Tac Produções, de Itajaí, para o programa Santa Catarina em Cena, da RBS TV.

Muito bacana! Eu, que tenho origem açoriana, me identifiquei pelo fato de saber super pouco sobre meus antepassados.

Parabéns gente, especialmente à Sheiloca, minha queria amiga que produziu o Dez Ilhas!



A série "Dez Ilhas e um mundo" narra a história da chegada dos açorianos em Santa Catarina e as tradições que criaram uma parte da cultura de nosso Estado. Rodado entre março e junho de 2009, o projeto teve como locações quatro Ilhas do Arquipélago dos Açores e todo o litoral Catarinense.

Produção: Tac. Produções
Direção: Diego Lara e Flavio Roberto
Direção de Procução: Sheila Calgaro
Direção de Arte: Cristiano Ely
Montagem: Roberto Pereira
Desenhos: Diego Oliveira
Escrito por Diego Lara e Flavio Roberto
Realização: RBS TV
Apoio: Direção Regional dos Açores, RTP e Casa dos Açores - Santa Catarina.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eventos de adoção de cães e gatos neste fim de semana (17 a 19 de julho)

18-07-2009 Feira de Adoção da APAA São Paulo SP
18-07-2009 - 19-07-2009 Feira de Adoção dos Amigos dos Bichos/SP São Paulo SP
18-07-2009 Feirinha de Adoção "Voz Animal" São Paulo SP
18-07-2009 Feira de Adoção Caipira Osasco SP
18-07-2009 Adote seu Amor com ACCG & Familia Auquimia Rio de Janeiro RJ
18-07-2009 Feira Abrigo Animal Joinville SC
18-07-2009 Feira de Adoções GAPA-MA Itaipava Petrópolis RJ
18-07-2009 - 19-07-2009 Feira de Adoção Pet Center Marginal S. Bernardo do Campo S. Bernardo do Campo SP
18-07-2009 Feira de Adoção da APA-Botucatu Botucatu SP
18-07-2009 Feira de Adoção do CCZ de Santo André Santo André SP
18-07-2009 Feira de doação Curitiba PR
19-07-2009 O Dia do Cão Feliz Rio de Janeiro RJ
19-07-2009 Evento de Adoção Fofuras Curitiba PR
Olhar Animal

Beirut - Sunday Smile

Outra fantástica banda e um belíssimo clipe.

Clipe e Making of da música Sutilmente, do Skank

Clipe de Sutilmente:



Agora veja como tudo foi feito no Making of:



A primeira vez que vi o clipe pensei: os caras estão pendurados na parede. Mas depois comecei a achar que eram efeitos especiais. E depois ainda voltei a teoria deles pendurados. Muito legal o clipe. Tanto quanto a bela música.

Rádio... e sua magia...



O rádio e sua fantástica reciprocidade! E nada de piadinhas sobre a nacionalidade de Anabela, hein? =)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Procura-se uma banda!





Elenco em Ordem de Aparição

Nailor – Fabrício de Carvalho
Sid Vinícius – Emerson Espíndola
Garota da Maça – Thábata Mattar Ferraz
Cara do Aspargo – Tetsuo Takita
Pai de Nailor – Nailor Magno de Oliveira
Mãe de Nailor – Márcia Antoinete de Miranda
Rita – Karoline Gonçalves
Carlos – Marcos M. Holtz
Namorada de Sid – Daiana Wagner
Cara da Garrafada – Edvane Severino
Bombeiro1 – Willian Paul Hosang
Bombeiro 2 – Daniel Bazanella
Motorista da Ambulância – Elmo Jorge Moisés

Equipe:

Direção e Roteiro
Simone Castro

Produção
Fátima Barbi
Francine Silva
Simone Castro

Direção de Fotografia
Marina Andrade

Direção de Arte / Figurino
Francine Silva

Designer de Áudio
Caroline Stinghen

Assistente de Direção
Fabieli Kehl

Maquiagem
Elisângela Jacomelli

Cartazes
Wilson Lucena Mazarin

Cinegrafista
Willian Victorino

Edição e Finalização
Roberto Pereira

Supervisão
Ilana Coelho

Trilha Sonora
Todas as músicas gentilmente cedidas pela banda Parkplatz – Porto Alegre/RS


Agradecimentos:

Supermercados Mini Preço
Wilson Lucena Mazarin – Cartazista
Alexandro José Fernandes – Gerente do Mini Preço São Judas
Funcionários e clientes do Supermercado Mini Preço São Judas

Grupo Anchieta Arte Cênica
Valentim Schmoeler
Marcos José da Silva

Open Bar
Romina Cella – Proprietária do Open
Gustavo Seeling – Organizador da Festa no Open

7º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Catarina
Tenente Coronel Onir Mocellin


Agradecimentos Especiais

Elisângela Jacomelli
Leandro Vinícius Hahn
Tânia Maria da Silva
Willian Leonardo da Silva
Mateus Waechter
Fabiano Castro de Oliveira
Rita de Cassia Castro de Oliveira
Sheila Ana Calgaro
Diego Lara
Flávio Roberto
E a todo Elenco

Disciplina de Cinema - Univali Novembro de 2007

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Impulsividade

Eu tenho um grave defeito: sou impulsiva. Sou tranquila, meio paradona, viajona, ouço geralmente mais do que falo, mas quando me irrito ou começo a falar algo que me incomoda, sou impulsiva até mais do que deveria. E isso nem sempre é positivo. Longe de mim ser dona da verdade, afinal pra mim ela não existe... Todo mundo tem a sua verdade e eu precisava expor o que sentia.

Hoje tive uma discussão que há algum tempo evitava ter, mas às vezes é inevitável. E quando isso acontece eu não meço muito as palavras e jogo a merda no ventilador. Sei que falo algumas coisas que machucam e que seria melhor se tivessem ficado pra mim. Aquelas opiniões e percepções contidas que todos temos, mas que a gente deixa só pra gente pra não ofender as pessoas. Pois é, eu infelizmente às vezes digo o que penso e isso põe em risco muitas coisas. Mas, por outro lado é bom. Me sinto mais livre, menos artificial. Acho que é aí que a leonina aqui dentro sai pra fora.

Às vezes cansa ouvir tanta coisa e ficar sempre tentando ver o lado bom, ter paciência, quando no fundo você sabe que tem alguma razão. Nem que seja um pouco, mas tem. As discussões no fundo são engraçadas. Vão para um dramalhão, são meio exageradas, tem algo de fantástico, mas refletem a nossa intuição. E isso é algo que eu prezo muito em mim. Tento seguir meu coração.

Eu odeio ser mal compreendida, mas é inevitável. Acontece. Odeio quem se faz de vítima quando é confrontado. Odeio ouvir indiretas. Sabe quando começa aquele papo "as pessoas" quando a pessoa quer dizer "você". Ah! Meu sangue de barata esquentou e não aguentei. Às vezes falo demais. Mas, por outro lado é bom ser sincero. É mais justo pelo menos, embora se pague o preço. O pior é que não falei nada demais, só expus minha opinião e deixei de concordar passivamente. Só deixei emergir o que era óbvio e estava no subtexto das relações. Isso já me aconteceu outras vezes e geralmente o que ouço é algo do tipo: "as pessoas se mostram nessas situações". Acho que as pessoas estão acostumadas a me ver como sabe o saco de pancadas que fica ouvindo, ouvindo... aí quando eu abro a boca elas não esperam. Enfim... agora já foi.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Marcelo Tas respondeu uma pergunta minha....

A revista Continuum, edição julho/agosto, solicitou que os leitores encaminhassem perguntas para o jornalista Marcelo Tas. Eu enviei umas sete, mas somente uma pode ser selecionada. Olhando agora, no contexto, pareceu bem agressiva, mas não foi a intenção. Eu queria só refletir sobre as pessoas que não tem acesso à internet e que às vezes assistem temas como o Twitter no Fantástico, sobre sei lá o que na net e ficam boiando. A resposta do Tas foi bem bacana. Um contraponto. Abaixo a matéria na íntegra. Ah! As fotos são da Cia de Foto. Os caras são ótimos! Há uns vídeos deles belíssimos no You Tube.

Bjos
mone

revista > entrevista

O homem seguido por 118.177 pessoas

Os leitores perguntaram e Marcelo Tas respondeu. Confira o que ele pensa sobre a conexão entre as pessoas e a internet

Por Marco Aurélio Fiochi | Fotos Cia de Foto

A intimidade de Marcelo Tas com os computadores vem de longe: começou em um aperfeiçoamento em cinema e TV na Universidade de Nova York (NYU), na década de 1980, tempos em que a informática não era assunto corriqueiro como é hoje e o PC nem sequer tinha sido inventado. Desde esse primeiro contato, que se deu por acaso, devido à curiosidade que herdara de sua formação em engenharia, Tas vem construindo com grande atenção sua presença virtual, que hoje é tão importante quanto a atuação como jornalista e comunicador de TV. Um ranking realizado em 2008, por exemplo, posicionou-o entre os três perfis mais seguidos do Twitter brasileiro, e sua participação na rede (com o blog marcelotas.uol.com.br) contribui para torná-lo um dos formadores de opinião mais importantes da atualidade no país.

Âncora do programa semanal CQC, da Rede Bandeirantes, ele não credita sua participação bem-sucedida na internet a nenhuma fórmula mágica. "Quando as pessoas me falam 'você pauta, você traz notícias', digo que não. Só ouço com atenção o que me chega e separo o que acho relevante." Ao analisar o impacto da conectividade na vida das pessoas, Tas define o momento como uma fase de transição que a seu ver nunca terminará. "Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo." O apresentador reforça ainda a importância da conexão através do olhar, do contato com o outro e com o próprio corpo como antídoto à sedução provocada pela conexão ultrarrápida da web.

Em tempo: o título desta entrevista, cujas perguntas foram criadas por leitores da Continuum, é uma brincadeira com o número de seguidores do perfil @marcelotas no Twitter. Mas é bom ressaltar que, graças à popularidade de seu criador, esse enorme contingente de pessoas poderá já ter se alterado quando você estiver lendo esta edição.

Ao que você atribui o alto grau de participação dos brasileiros em redes sociais, se comparado ao restante do mundo? Seria carência social ou procura de identificação em nichos? (Arieta Arruda, Curitiba/PR)

Isso se deve a duas coisas: o Brasil tem uma distância intransponível, infinita do resto do mundo. É um país que se coloca espiritualmente longe de todos, de tudo, apartado do primeiro mundo. Tem complexo de cachorro magro e, ao mesmo tempo, a esquizofrenia de não se inserir na América do Sul. Com isso, despreza uma riqueza gigantesca que está ao seu lado, na Colômbia, na Argentina, no Chile, no Paraguai... A América do Sul tem uma história belíssima, muito próxima dos brasileiros, e nós estamos muito mais voltados para a Europa, os Estados Unidos, Miami, que é quase uma cidade brasileira. O outro motivo se resume numa palavra: gambiarra. Não faço um elogio ao precário e ao malfeito. Falo de quem consegue superar, com criatividade, nosso estado real. Não podemos perder de vista o fato de vivermos num país desigual, cheio de injustiças e dificuldades. Mas o brasileiro tem um afeto pela tecnologia; e a gambiarra é o drible tecnológico que dá em suas deficiências. É o puxadinho, a antena de TV com Bom Bril nas extremidades, o gato, o benjamim apinhado de tomadas, o remendo no fio do ferro de passar roupa ou do computador. O brasileiro abre o computador com a mesma intimidade que abre um Sonho de Valsa. A gente não tem pudor com a tecnologia. Quando se vê um europeu mexendo num equipamento, ele tem respeito, tem medo, não aperta qualquer botão. O comportamento do brasileiro facilita a profusão de pessoas que usam as redes sociais no país. É uma intimidade com o meio, com a tecnologia e, obviamente, um exercício natural da nossa sociabilidade. Adoramos conversar, contar as coisas da vida. Isso se reflete na internet.

Como você vê o impacto da conectividade na vida das pessoas? Até que ponto a superexposição causada pelos blogs, pelo Twitter e até mesmo pela TV é positiva? (Luciana Morgado, São Paulo/SP)

A superexposição é positiva até o ponto em que ajuda as pessoas a conhecerem-se a si mesmas. Somos nós que a geramos. Parece que isso é causado por algum vírus, algo que está dentro do computador e que puxa as pessoas. Quem não gosta disso não se mostra na internet, assim como não é visto nas revistas de fofoca, ou no Orkut, ou no Big Brother Brasil, ou numa festa. O mundo virtual é um reflexo do mundo real. Quem é exibido no mundo real terá essa característica potencializada no mundo virtual. Depende do discernimento de cada um usar as ferramentas virtuais e saber até onde quer se expor. É um mundo muito sedutor, mas que também pode ser nocivo.

Você acredita que os milhões de brasileiros que não possuem acesso à internet são representados hoje na mídia? Tenho a impressão de que redações jornalísticas, produtoras de vídeo e agências de comunicação se concentram mais no que é visto na web do que na vida real daqueles que não têm acesso à internet e que também têm interesses, necessitam de informações. (Simone Castro, Itajaí/SC)

Concordo em parte com esse pensamento, mas temos que enxergar a mudança gigantesca que vivemos. Eu era adolescente nos anos 1970 e 1980, quando a publicidade vendia uma marca de cigarros chamada Hollywood com o seguinte slogan: "O sucesso". As pessoas que apareciam naqueles comerciais eram atléticas, superbonitas. Aquilo significava sucesso, era uma mensagem muito direta. Hoje, isso não tem o menor espaço. As mídias não estão mais somente nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista que estampava um maço de cigarros e alguém surfando numa onda gigantesca, com o slogan "O sucesso". Atualmente, existe uma representatividade muito mais ampla por meio da internet. Esse é um caminho sem volta. O cidadão participa mais, mesmo se levarmos em conta o baixo índice de acesso à rede - o que é relativo, porque no Brasil já se tem algo em torno de 60 milhões de internautas. Até o caboclo que vive a três horas de barco de Santarém, na Amazônia, é afetado pela rede. A notícia chega até ele numa velocidade como nunca chegou. Não porque ele acessa um site, mas porque o barco que vai até ele para levar gelo e sal leva também a informação que acabou de sair na internet.

Quando e como foi seu primeiro contato com a internet? (James H. Prado, São Paulo/SP)

Meu primeiro contato foi um susto. Ele aconteceu na década de 1980, quando ainda não se falava em computador. Eu fazia um curso de pós-graduação em cinema e televisão na NYU, em 1987, com uma bolsa de estudos da Fullbright. Em um departamento que havia nessa universidade, vi um dia caixas de computadores empilhadas, que eu não sabia o que eram. Fui bisbilhotar e descobri que nesse departamento havia um curso que estava ganhando muita força naquele momento, o Interactive Telecommunications Program. Não havia computador pessoal, só aqueles usados em universidades e empresas. Pedi a prorrogação da bolsa e fiz esse curso, em 1988, no qual tive acesso ao primeiro Macintosh. Eu levei um choque! A biblioteca da NYU já era totalmente on-line e nela podiam-se fazer pesquisas em rede, com cruzamentos, igual ao que se faz hoje com o Google. Eu passava horas lá fazendo cruzamentos de informações, para adquirir experiência e por perceber que aquela era uma ferramenta interessantíssima. Ao voltar para o Brasil, só conseguia conversar com pouca gente sobre essa rede. Tinha alguns amigos nerds naquela época, pois fiz engenharia na Poli [Escola Politécnica da Universidade de São Paulo], e só eles entenderam o que eu estava falando. Mudei-me para o Rio de Janeiro no começo da década de 1990, onde tive acesso ao primeiro provedor brasileiro, o da ONG Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas], coordenada na época pelo Betinho [o sociólogo Herbert de Sousa]. O Ibase proveu acesso à internet ao público brasileiro, seus integrantes foram pioneiros. Meu primeiro e-mail foi da Alternex, o provedor de acesso do Ibase. Registrei esse endereço em 1992, logo no início, quando o serviço começou a funcionar.

Desde quando você usa o Twitter e como descobriu essa ferramenta? Você imaginaria que seria uma das pessoas mais seguidas no Brasil? (Bruno Daniel Puga, São Paulo/SP)

Nunca imaginei que isso fosse acontecer! Eu comecei a usar o Twitter em 2007. Quando surge uma ferramenta, eu sempre me registro e tento entender como ela funciona. Muitas delas não duram, mas as experimento e depois as esqueço. Percebo que algumas outras nasceram antes da hora, como o Second Life, no qual também me registrei e cheguei a usá-lo. Há ainda aquelas em que apostei muito que dariam certo e não deram, como o Joost, uma TV a cabo sem limites, de graça, na internet. Fui um dos primeiros a me registrar nele, mas não decolou. No caso do Twitter, sempre usei essa ferramenta muito intensamente, desde o começo. Em 2008, fiquei entre os três mais seguidos do Twitter brasileiro, o que foi um susto para mim, porque os outros dois são meganerds, que respeito muito, o Cris [Cristiano] Dias e o Carlos Merigo. Muita gente me pergunta como faço para ter tantos seguidores no Twitter. Penso que a gente imprime na rede a nossa experiência. Não há fórmula mágica. Às vezes, até se tem muita coisa para oferecer, mas não se sabe como. Talvez a linguagem não seja a mais adequada, ou a pessoa pode ser muito popular, mas a maneira como se comunica não é. O verbo da era em que vivemos é ouvir. Temos que aprender a ouvir, senão não sobreviveremos. Quando as pessoas me falam "você pauta, você traz notícias", digo que não. Só ouço com atenção o que me chega. Gasto muito tempo ouvindo e separando o que acho relevante. Não sou eu que sei de tudo, mas tenho uma rede poderosa de pessoas às quais ouço e respondo e que respeito. Eu me corrijo quando erro, brigo, debato, discuto... Acho que isso gera confiança nas pessoas para que me procurem e compartilhem informações comigo.

Até que ponto a utilização de redes sociais pode ser viável no desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa, sem que ela seja prejudicada pelo excesso de informação e se perca no gerenciamento de sua "vida virtual"? (Daniel Medina, Jundiaí/SP)

Um bom termômetro são os olhos dos nossos filhos ou dos nossos melhores amigos. Para mim, o termômetro é a conexão afetiva. No dia que seu filho começar a achar que você é um idiota, é melhor tomar cuidado. Aliás, é melhor tomar cuidado antes disso. Não significa que dentro do computador mora um demônio, mas somos cobaias de uma fase de transição. É fácil ficar grudado nessa cola sedutora que é a conexão ultrarrápida. O que nos salva é que continuamos tendo de comer, dormir, cuidar do cachorro. Sugiro às pessoas: tenha um cachorro, um gato, de preferência filhos, namorados. Isso é o que importa no fundo. E as redes, meios de troca de informação, de imagem, devem servir a isso. Não é preciso separar uma coisa da outra. Há pessoas que falam: "Agora vou me desligar do computador". Isso é bobagem. Checar o Twitter, por exemplo, é muito rápido, não é uma violência.

O que você acha dos fakes [perfis falsos] espalhados pela internet, inclusive no Twitter?(Weslei Rodrigues, Antonio Carlos/MG)

Há dois tipos de fake. O primeiro é resultado de uma sátira, que pode ser muito legal. É o caso do Victor Fasano, o fake mais famoso do Twitter (@vitorfasano). Não é o ator real, todo mundo sabe disso, mas, sim, um personagem. Ele aborda a realidade pela ótica do Victor Fasano, faz comentários sobre tudo, o Lula, o Big Brother, a seleção brasileira, é genial. Acho que esse cara é um dos maiores comediantes do Brasil atualmente, e ninguém sabe quem ele é. Mas há um segundo tipo, que causa confusão no público. Já criaram fakes meus para oferecer ingressos para a gravação do CQC e para xingar pessoas. Quando há a conotação de falsear uma identidade, o público demora a perceber. E isso é crime. Há muita confusão devido à fase transitória em que vivemos. As pessoas acham que cometer tais ações na rede não é ilícito.

O impacto da incorporação da internet em aparelhos como celulares e TVs acarretará uma supervalorização da informação? (Adaildo Neto, Rio Branco/AC)

A informação sempre foi valorizada. Quem a processa ou a pesquisa tem poder, como os cientistas, os artistas. Eles detêm algo muito poderoso. O mesmo para quem detém a informação do espírito. Não é à toa o crescimento do número de igrejas, de terapias. Tem poder, também, aquele que procura aprofundar a informação. Ela não é mais um bem tão valorizado; o que tem valor é o conhecimento, que é como se aprofunda uma informação. Valem mais as conexões que se fazem entre os fatos do que os fatos em si. Muitos professores implicam com seus alunos por causa da internet, do celular. Eles deviam proceder de outra forma, pois têm uma chance raríssima de exercer apenas a função primordial de sua profissão, que é promover o debate, os insights, aprender junto, gerar o movimento do saber com seus alunos e não apenas trazer coisas para eles.

Como você analisa a prática do jornalismo no mundo contemporâneo e o diálogo dos profissionais da comunicação com as ferramentas modernas e com a sociedade? Percebe-se a pobreza de pautas, além da infinita reprodução de releases. Com tanta informação disponível a um clique, você acredita que os jornalistas estejam cientes de que seu papel está em processo evolutivo e que lhes será exigido mais apuração, mais pesquisa e mais riqueza em suas reportagens? (André Patroni, Campo Grande/MS)

Pode parecer paradoxal, mas creio que o jornalismo vive uma época de ouro. Apesar do sucateamento dos veículos de comunicação, há muita gente interessante que agora tem outros meios de fazer jornalismo. E há outras pessoas também interessantes que continuam a fazer o jornalismo tradicional. Podemos selecionar o que ler de uma maneira muito mais abrangente. O mundo está mais generoso com o talento das pessoas. Essa é mais uma característica dessa fase de transição de que falei há pouco. É uma transição que talvez não acabe nunca. Vivemos numa fronteira que não é e nunca será definida. Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo, que escorrega, que não conseguimos pegar. Esse estado é, inclusive, mental, espiritual. Por isso, é importante a conexão pelo olhar, o contato com o outro e com você mesmo, com seu corpo. Hoje quase todos nós, invariavelmente, temos dores nos braços por ficar muitas horas em frente de um computador. É bom ouvir os sinais dados pelo corpo, pois tenho certeza de que daqui a cinco, dez anos a pauta da saúde vai ser uma pandemia de LER [lesão por esforço repetitivo].